Abraham Maslow geralmente é apresentado nos cursos de psicologia como um autor que contribui apenas com sua famosa “Pirâmide de Maslow”, dando uma falsa noção de menor importância dentre os autores clássicos da psicologia. A formação acadêmica nesta área não faz justiça a suas ideias.
Recentemente tive acesso a seu livro mais tardio, The Farther Reaches of Human Nature, um livro que junta alguns textos e artigos do autor. Após ter lido três deles – os três capítulos de Health and Pathology, A theory of Metamotivation e o Appendix D: Criteria for Judging Needs to Be Instinctoid – comecei a formar uma outra visão do autor, conhecendo um novo horizonte que muito se harmoniza com meus estudos de Psicologia Tomista e filosofia aristotélica.
A ideia de psicopatologia de Maslow tenta superar a visão freudiana e behaviorista, não apenas negando-a, mas aprimorando-a. A visão freudiana do neurótico é a do indivíduo cujos impulsos precisam ser defendidos através dos mecanismos de defesa. Faz jus à proposta de Maslow a concepção de que sua visão de homem e de saúde mental é positiva, pois ele a todo momento se preocupa com o que ele chama de fullfilment, o que podemos traduzir como a pessoa totalmente realizada. A busca deste autor é em caracterizar a self-actualizing person – a pessoa auto-atualizada.
Em sua investigação, Maslow sugere que as pessoas self-actualizing são aquelas que têm suas necessidades básicas (basic needs) satisfeitas. Mas além disso, também satisfazem o que ele chama de metanecessidades (metaneeds). As primeiras são necessidades de sono, alimentação, vitaminas, higiene, limpeza, amor, carinho, atenção, dentre outras. Um sujeito que não teve essas necessidades preenchidas em sua vida cai na neurose, buscando as neurotic needs (preencher suas necessidades neuróticas) que, pelo menos nos textos que li, Maslow não descreve quais sejam, deixando subentendidas. As segundas – metanecessidades – são as mais elevadas possíveis para o ser humano e algumas delas são a beleza, a verdade, a perfeição e a justiça. Maslow também defende a consideração dos valores na psicologia.
Prosseguindo, Maslow chega a discutir a noção de realidade e fecha seu texto – o segundo citado – argumentando que experiências religiosas como imortalidade e, em suas palavras his self live on after his death (seu self que vive depois de sua morte), são dimensões que também podem ser integradas no estudo de pessoas self-actualizing.
Infelizmente, Maslow não foi capaz de apresentar uma teoria satisfatória sobre todas essas observações. Se ele tivesse estudado Aristóteles, teria notado que tudo já estava lá dois mil e quatrocentos anos antes. É irônico que a tradução de B-Values (Being-values) para o português seja valores do Ser. Maslow, sem perceber, estava tocando no que se convencionou por milênios a ser chamado de metafísica.
Beleza, Bondade e Verdade são três dos sete transcendentais em Aristóteles, assim como os valores de Maslow são muito bem harmonizados com as virtudes do filósofo grego. Não há nada de novo debaixo do sol. A diferença é que Maslow não chegou tão longe quanto Aristóteles.
Em resumo, as investigações de Maslow e suas conclusões chegaram ao que a Psicologia Tomista tenta remontar: as virtudes são necessárias para uma plena saúde mental. E virtudes implicam vida moral. A Psicologia Tomista, porém, não se restringe a isso, demonstrando que a plenitude da vida moral se dá com uma vida espiritual sólida. Essa vida espiritual é muito bem descrita e apresentada por vários autores católicos ao longo de vários séculos, hoje sendo tão bem descritas que é necessário uma revisão mais ampla do nosso conceito de saúde em saúde mental.

